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terça-feira, 10 de abril de 2012

RUMO AO CORAÇÃO DA ANSIEDADE


Baseado em Mateus 6.19-34.



Don´t worry, be happy! Este era o conselho dado por uma canção de Bob Marley vários anos atrás. No entanto, para quem luta contra a ansiedade esse conselho é simplista. Não existe um interruptor que se possa acionar para desligar a ansiedade.Talvez não haja um problema que atormente mais do que a ansiedade, ela chega rápido, mas demora a sair. Ela consome o nosso sono, sulga as nossas energias, arruína relacionamentos, e agrava os problemas de saúde. Hoje em dia a nossa cultura está abolindo gradualmente as noções de pecado e responsabilidade pessoal. Neste sentido, a ansiedade tem sido encarada por muitos como uma doença e até medicada como tal. Sendo assim encaixada no modelo médico. Mas o que é o modelo médico? No evangelho da medicina moderna  que tudo se reduz ao funcionamento do corpo. Não há um aspecto espiritual, apenas a matéria. Nem mesmo se considera a ideia de que o homem vive perante Deus. Quando a matéria está normal, tudo está bem e a intervenção médica não é necessária. Entretanto, quando os padrões ou comportamentos biológicos estão anormais, então há uma doença. Quando usamos o termo doença isso, naturalmente, implica que a responsabilidade pessoal fica diminuída ou ausente e também que a medicina é o provedor de serviços exclusivo. Na verdade, do ponto de vista do modelo médico, qualquer intervenção não-médica seria considerada contrária à ética. A grande questão é que atualmente a definição de doença inclui muito mais do que um nível baixo de glicose no sangue ou um nível alto de colesterol. Hoje o modelo médico também inclui qualquer comportamento fora do comum. Tudo, desde a desobediência aos pais até o assassinato, pode ser categorizado como doença, o que significa por definição que as pessoas afetadas não são responsáveis. E a ansiedade tem sido interpretada a partir desde modelo, sendo, portanto, categorizada como uma doença.Do ponto de vista bíblico há problemas óbvios nesse modelo. O mais evidente é que o modelo médico ou a ideia de doença ignora o fato de que os seres humanos são uma unidade de duas partes: física e espiritual, corpo e coração. Sem dúvida o modelo médico encontra muitas verdades na análise do corpo que pode ter uma profunda influência sobre o coração. Por exemplo, um problema cerebral pode fazer com que a pessoa fique mais propensa ao pecado. Mas os problema físicos não podem fazer com que uma pessoa seja pecadora ou obediente. É isso que as Escrituras nos afirmam: "Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. (2 Co 4.16). O indicador moral é o coração. O corpo é tanto uma influência sobre coração como também um instrumento para que o coração se expresse. Outro problema do modelo médico é o termo anormal. Porque ele é ambíguo, enraizado na cultura, na opinião e no preconceito, não na ciência. O que é anormal para uma pessoa não é anormal para outra e o que é anormal em um país não é anormal em outro. Se você consultar o DSM IV ele irá classificar cada um de nós sob um diagnóstico ou  transtorno mental. O conceito de anormalidade é tão elástico e ambíguo que todos nós podemos ser rotulados de anormais. Isso pode parecer uma discussão boba, mas quando percebemos que a anormalidade é equivalente à doença e a doença é equivalente a uma responsabilidade reduzida, então se torna óbvio que o modelo médico está declarando guerra à perspectiva bíblica do homem. Isso tem acontecido com relação à ansiedade. Eu não nego que a ansiedade pode tomar uma dimensão tal em nossas vidas que aparentemente perdemos o controle diante dela. E aí temos um dilema teológico: como conciliar a natureza descontrolada de alguns casos de ansiedade e a natureza intencional e consciente do pecado? As duas coisas parecem incompatíveis e categoricamente diferentes. Portanto, optamos pelo único modelo disponível: doença. Parece que não temos outra escolha. Mas não podemos nos esquecer que o pecado é mais que uma rebelião consciente contra Deus. É também um poder enganador que quer nos controlar e nos escravizar. Esse ultimo aspecto do pecado tem sido negligenciado pela igreja, por isso, ela às vezes se encontra despreparada para tratar das experiências que parecem acontecer sem um propósito consciente. O pecado vai além de escolhas conscientes. Como um capataz cruel, o pecado nos vitima e nos controla. Ele aprisiona e surpreende, e às vezes lutar contra ele parece ser uma tarefa impossível e improdutiva. Desta forma, a escravidão do pecado, que todo homem já experimentou de alguma forma, é similar à doença em outros aspectos, muito embora existam diferenças cruciais. A diferença fundamental é que a escravidão do pecado é algo pelo qual somos responsáveis, e podemos ser capacitados por Deus para abandoná-la. Então em alguns casos a ansiedade é um híbrido ela nos controla como uma doença, mas também somos responsáveis por ela. Mas categorizá-la como uma doença por mais profunda e crônica que ela seja não nos ajudará a vencê-la. A ansiedade é pecado, mas Deus oferece solução e esperança em Cristo.

No texto de Mateus 6.19-34 Jesus dá a boa nova, a ansiedade tem cura. Deus garante auxílio e esperança por meio do Seu Espírito e Sua Palavra. O fato de Jesus falar aos seus seguidores sobre a ansiedade indica que os cristãos podem enfrentar tentações nesta área. No entanto, eles não estão entregue às psicologias e técnicas centradas no homem, mas na Palavra de Deus. Você não está sozinho, pois Deus o seu pai, está pronto a te ajudar. Vamos aos pontos principais do texto:

1 Deixar-se dominara pela ansiedade é errado.

Ele repete essa advertência pelo menos três vezes.Vs. 25,31,34
Se você é alguém que costuma ficar ansioso, essas advertências não devem ser motivo de desânimo. A graça do Senhor Jesus Cristo está à sua disposição para te ajudar contra o pecado. Embora Deus não elimine todas as situações difíceis que podem dar ocasião à preocupação, Ele é especialista em perdoar e transformar a nossa ansiedade. Então, contrariamente, a perspectiva médica-psicológica que tira a responsabilidade humana as Escrituras vão deixar claro que ansiedade é uma resposta, uma reação, um ato, e mais, um ato que desagrada a Deus, um ato pecaminoso. Somos responsáveis pela nossa ansiedade, ela expressa algo que está acontecendo em nossos corações. A ordem do Senhor Jesus é clara: não andeis ansiosos.  A ideia que Jesus quer passar é essa: se você estão ansiosos, parem; se não começaram não o façam. A palavra grega para vida é psyche. Ela se relaciona com a plenitude da vida terrena, física e exterior. Não seja ansioso pelas coisas deste mundo temporal (alimento, vestimenta e coisas materiais associadas a elas). 

Vs. 21 Ambicionar tesouros terrenos produz afeições terrenas. Eles cegam a nossa visão espiritual e afastam-nos do serviço a Deus. Como filhos de Deus temos um único objetivo o tesouro no céu.  Uma única visão: os propósitos de Deus, e um único mestre: Deus. Portanto, a ordem é não fiquem preocupados com as coisas deste mundo. Para avaliar o impacto do que Jesus disse aos seus ouvintes, imagine o que seria viver em um país de poucos recursos. Na Palestina da época havia poucos recursos. Havia ocasiões em que a neve não caia sobre as montanhas e, como consequência, as correntes de água não chegavam aos rios. De vez em quando, uma praga de gafanhotos devastava as colheitas, trazendo fome à população. Por outro lado, quando havia fome, não havia dinheiro e, sem ele, ninguém podia comprar roupa e outros gêneros de necessidade. Muitos em nossa cultura preocupam-se excessivamente com coisas relacionadas ao bem-estar do corpo, maquiagem, cabeleireiro, ginástica, roupas, carros, casas, alimentação, jóias, passeios, viagens.

Porque é pecado andar preocupado?
No texto Jesus expõe as raízes pecaminosas da ansiedade e aponta uma saída.
Vs. 19-25

2 A ansiedade expressa idolatria.

A Ansiedade expressa idolatria. Que significa adorar alguém ou alguma coisa que não são o verdadeiro Deus.  Trata-se de entregar o coração a um falso salvador, exaltar os seus desejos pessoais acima do salvador e servir a um outro Senhor em lugar do verdadeiro Senhor. A ansiedade demonstra que você está alicerçando a sua vida em um falso deus. Jesus começa o verso 25 com o termo portanto, que nos leva de volta aos versos 19 a 24, onde Jesus fala da idolatria. Em vez de se focar nos tesouros celestiais o ansioso se prende aos tesouros terrenos, como trabalho, casamento, posses, saúde, filhos. Como seus olhos estão focados nestes tesouros eles passam a viver em constante preocupação com o futuro. Quando fazemos isso deixamos de desfrutar dos tesouros celestiais, os bens que temos em Cristo, os quais superam as quinquilharias perecíveis que tanto valorizamos. Em vez de fixar os olhos em Cristo os olhos do ansioso estão fixados nas preocupações deste mundo (vs. 22-23), nos impedindo de ver as coisas lá do alto. Em vez de servir a Deus, os ansiosos dedicam-se a senhores que competem com ele (vs. 24). Os senhores de escravos exigem dedicação exclusiva, não se pode trabalhar para dois senhores.  Quer esse senhor seja o dinheiro, a sua reputação, seu cônjuge, a sua vocação, você deve entrega-los a Cristo, o seu Senhor, e não permitir que ocupem o trono do seu coração. Sempre que você estiver preocupado, examine os seus tesouros que você considera de valor. O que prende o seu olhar? Quem o ocupa o lugar do verdadeiro senhor em sua vida? Arrependa-se não apenas do comportamento ansioso, mas também da idolatria que o motiva. Portanto, a ansiedade é na verdade a ponta do iceberg, na base, num nível mais profundo temos a idolatria, ou seja, o entregar do coração a um falso deus. Quando fazemos isso, escolhemos sair dos limites do reino de Deus e procurar bênçãos na terra dos ídolos. Ao voltarmos para os ídolos, estamos dizendo que desejamos algo da criação mais do que desejamos o criador. O que é um deus? É qualquer pessoa ou coisa na qual depositamos a nossa afeição a ponto de nos entregarmos com um apego excessivo e pecaminoso. A idolatria abarca qualquer coisa que adoramos: a cobiça por prazer, respeito, amor, poder, controle, isenção de dor. O propósito da idolatria é manipular o ídolo para o nosso benefício, mas os ídolos não cooperam. Ao invés de dominarmos os nossos ídolos, nós nos tornamos seus escravos e começamos a nos parecer com eles. (Sl 115.8). Mas porque eles tem tanto poder? Por causa da presença silenciosa que está atrás dele: Satanás. Quando colocamos a nossa afeição em objetos criados demonstramos a nossa afinidade com Satanás.

2 A ansiedade expressa incredulidade, a solução é a fé.

A ansiedade não expressa apenas a idolatria, mas expressa também incredulidade. Jesus não se dirige aos seus ouvintes como a pagãos incrédulos, mas como a homens de pouca fé.  A ansiedade surge da dúvida que ainda está no coração. Jesus não se limitar a proibir a ansiedade, mas apresenta as razões pelas quais não devemos nos preocupar. Ficar ansioso é negar de forma prática o poder, o amor e sabedoria  de Deus para com você na situação que você enfrenta. Vs. 25-30

Jesus lembra que o mesmo Deus que cuida das aves e das flores, atribuí a você muito mais valor do que a elas. Seu Deus cuida das plantas e dos animais, Ele não cuidará de você, irmão, que foi criado à sua imagem e comprado pelo precioso sangue do Cristo, recriado com a vida de Cristo e selado pelo Espírito Santo?

Os vs. 31,32  afirmam que a ansiedade caracteriza os pagãos, aqueles que não pertencem ao pai celestial. Porque os pagãos sim procuram avidamente as coisas temporais. Os cristãos, porém, têm um pai que conhece as suas verdadeiras necessidades e as atende no tempo certo. A raiz da ansiedade é a desconfiança de tudo o que Deus prometeu nos dar em Cristo Jesus. Qual é o antidoto? Crer nas promessas de Deus e orientar a sua vida de acordo com as prioridades de Deus.(v. 33). Nenhuma das promessas de Deus jamais falhou. Neste sentido John Piper em seu texto Quando estou ansioso nos traz as seguintes orientações:

Quando estou ansioso sobre meu ministério ser inútil e vazio
eu luto contra a incredulidade com a promessa de Isaías 55:11: "Assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei."
Quando estou ansioso sobre ser muito fraco para realizar o meu trabalho,
 eu luto contra a incredulidade com a promessa de Cristo: "A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza" (2 Coríntios 12:9).
Quando estou ansioso sobre decisões que preciso tomar sobre o futuro,
 eu luto contra a incredulidade com a promessa: "Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e, sob as minhas vistas, te darei conselho" (Salmos 32:8).
Quando estou ansioso sobre encarar oponentes,
eu luto contra a incredulidade com a promessa: "Se Deus é por nós, quem será contra nós?" (Romanos 8:31).
 Quando estou ansioso sobre o bem-estar daqueles a quem amo,
eu luto contra a incredulidade com a promessa que se eu, sendo mau, sei como dar coisas boas para os meus filhos, "quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?" (Mateus 7:11). E luto para manter meu equilíbrio espiritual com a lembrança que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por amor a Cristo "que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e, no mundo por vir, a vida eterna" (Marcos 10:29-30).
Quando estou ansioso sobre ficar doente,
 eu luto contra a incredulidade com a promessa: "Muitas são as aflições do justo, mas o SENHOR de todas o livra" (Salmos 34:19). E tomo a promessa com temor: "A tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado" (Romanos 5:3-5).
Quando estou ansioso sobre estar ficando velho,
 eu luto contra a incredulidade com a promessa: "Até à vossa velhice, eu serei o mesmo e, ainda até às cãs, eu vos carregarei; já o tenho feito; levar-vos-ei, pois, carregar-vos-ei e vos salvarei" (Isaías 46:4).1

Quando estou ansioso sobre morrer,
 eu luto contra a incredulidade com a promessa que "nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor. Foi precisamente para esse fim que Cristo morreu e ressurgiu: para ser Senhor tanto de mortos como de vivos" (Romanos 14:7-9).
Quando estou ansioso sobre a possibilidade de naufragar na fé e me afastar de Deus,
 eu luto contra a incredulidade com as promessas: "aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus" (Filipenses 1:6); e "também pode salvar totalmente os que por ele [Cristo] se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles" (Hebreus 7:25).
Lutemos, não contra outras pessoas, mas contra nossa própria incredulidade. Ela é a raiz da ansiedade, a qual, por sua vez, é a raiz de muitos outros pecados. Assim, liguemos nossos pára-brisas, o jato de água e mantenhamos nossos olhos fixos nas mui grandes e preciosas promessas de Deus. Tome a Bíblia, peça auxílio ao Espírito Santo, guarde as promessas em seu coração, e lute o bom combate – viver pela fé na graça futura.


Sempre que você ficar ansioso saiba que é um sintoma de idolatria e de incredulidade remanescente em seu coração. Naquele momento você está vivendo para alguém ou para alguma coisa além do Senhor, e existe alguma verdade ou promessa de Deus que você está deixando de abraçar. As perguntas de auto-avaliação podem leva-lo a refletir a sua ansiedade à luz da Palavra. Certifique-se se avaliar esses assuntos em oração:

1 Quais as áreas da minha vida que provocam ansiedade com maior frequência?
Arrependa-se por deixar as preocupações controlarem você.
2 Em quais mentiras eu acredito e os ídolos específicos que sou mais propenso a adorar?
Identifique-os e confesse-os a Deus.
3   Quais verdades específicas a respeito de Deus  e quais promessas de Deus eu preciso abraçar a cada dia?
Encher a sua mente com a Palavra de Deus ajudará a afastar os ídolos e a incredulidade remanescente.
4 Quais os passos de fé e obediência eu preciso dar hoje? Quais as tarefas que Ele me chama a cumprir?
Invista as suas energias de bom grado naquilo que deve ser realizado hoje.

Quero incentivá-lo a não fazer isso sozinho, Deus o colocou em comunhão com o corpo de cristo. Conte com a ajuda dos pastores, um amigo sábio,  que possa auxiliá-lo em sabedoria e amor, a conhecer e aplicar a Palavra de Deus às situações que contribuem para a ansiedade.

Baseado no texto de Robert Jones Rumo ao Coração da Ansiedade.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Conselheiros bíblicos ou conselheiros cristãos?


E o que dizer acerta dos grupos que tem se auto nominado como conselheiros bíblicos (como por exemplo, o Jornal of Biblical Counseling) e conselheiros cristãos (como a American Association of Christian Counselor – AACC)? Qual a diferença entre eles? Vamos a elas? Os intitulados Conselheiros Bíblicos defendem que o conteúdo e o método do aconselhamento devem vir apenas da Bíblia. Então o que eles oferecem é uma sábia utilização da Bíblia na vida dos que lutam contra seus problemas. Aparentemente, os Conselheiros Cristãos também defendem a mesma autoridade das Escrituras.  Mas será que o que eles fazem e ensinam está em desacordo com a fé que eles professam? Portanto, os termos conselheiros bíblicos ou conselheiros cristãos estão no centro do debate acerca do aconselhamento. Aqui temos um problema maior do que um simples problema de terminologia. Entre os cristãos que fazem aconselhamento é mais difícil perceber as diferenças, porque os dois movimentos se aproximaram nos últimos vinte anos. Em ambos os lados tem ocorrido mudanças significativas. Os psicólogos tornaram-se mais biblicamente orientados nos anos 90 do que eles eram nos anos 70 e 80. Larry Crabb e a AACC são os exemplos mais visíveis de como a parte evangélica dos psicólogos com dupla identidade está  promovendo um certo embaraço na identidade profissional. A partir deles, uma visão mais holística do homem e da sua natureza tem surgido entre muitos psicólogos evangélicos. Alguns psicólogos cristãos ainda tentam separar problemas espirituais de problemas psicológicos, relacionais e mentais, tentando, desta forma, validar a sua existência profissional como algo qualitativamente diferente da cura de almas. Mas muitos destes profissionais tem percebido que a divisão entre espiritual e psicológico é artificial e problemática. Muitos deles têm concordado com João Calvino que afirma que o conhecimento de Deus é essencial para o autoconhecimento. Este olhar mais holístico do homem tem afetado a autoimagem profissional. Cada vez mais, Conselheiros Cristãos tem buscado identificar o seu trabalho como o cuidado da alma e vêm isto como um ministério que deve estar cada vez mais ligado à igreja. Então, os psicoterapeutas têm se “parecido” mais os como conselheiros pastorais e teólogos pastorais que seguiram Jay Adams. Enquanto isso, os conselheiros bíblicos também mudaram. O que eles têm escrito agora evidencia um leque maior de preocupações e conceitos do que eles tinham no início dos anos 70. Eles completaram, desenvolveram ou até mesmo alteraram alguns aspectos do pensamento de Jay Adams. Hoje em dia os Conselheiros Bíblicos dão grande atenção para os seguintes aspectos: 1) A dinâmica da mudança pessoal, teoria da motivação, crença, auto avaliação, autoengano; 2) O impacto do sofrimento e da socialização na vida da pessoa; 3) Compaixão, flexibilidade, diagnóstico, metodologia do aconselhamento; 4) nuances da interação entre a fé cristã e a psicologia moderna; 5) Comunicação familiar e conjugal; 6) As causas e o tratamento do que é chamado de vício. O modelo de aconselhamento bíblico, nos dias de hoje, é mais detalhado e abrangente sobre a grande variedade de assuntos “psicológicos”. Isso quer dizer que os psicólogos parecem mais bíblicos e os conselheiros bíblicos mais psicologiados. O que isso significa? Estão as duas partes em direção a uma aproximação ou a uma coalisão mais profunda? O estão se movendo em direção a um ainda não imaginado realinhamento? Sinceramente, eu acredito que as duas visões são incompatíveis. Mas eu acredito que o momento atual é propício ao diálogo. Eu acredito que nós, o corpo de Cristo, podemos identificar onde as ideias e práticas são fundamentalmente incongruentes, e as incongruências deveriam ser abertamente declaradas e debatidas para que a igreja possa avaliar as posições e escolher sabiamente. Algumas diferenças aparentes podem vir a ser a mesma coisa afirmada em palavras diferentes ou coisas complementares que podem ser explicadas dentro de um modelo comum. Afinal de contas, servimos ao Deus vivo que usa os fatos históricos para a Sua glória e para o nosso bem-estar. Ele não deixará seus filhos perdidos na ignorância, incompetência, querelas e confusão. Então qual terminologia devemos usar? Eu sugiro que usemos a linguagem que seja a menos prejudicial e mais descritiva dos pontos que distinguem os dois grupos. A questão central gira em torno da intenção e do alcance das Escrituras, da natureza do trabalho pastoral e ao grau de importância que a igreja tem na ajuda que oferece ao homem em seus problemas. 

Adaptação do original Cure of Souls (and the modern Psychoterapies) de David Powlison.
Texto completo disponível em http://www.ccef.org/cure-souls-and-modern-psychotherapies
Pr. Carlos

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

LIVROS PARA LER E APRENDER

Durante o ano de 2011 pude fazer várias amizades e vários desses amigos caminharam comigo nos momentos bons de difíceis, sou grato a Deus por todos os grandes amigos que Ele graciosamente me concedeu. Mas há outros amigos que também andaram comigo e que muito me ensinaram durante o ano, os livros. Com eles aprendi lições preciosas acerca de mim mesmo, de Deus, do meu próximo e da vida e, sem dúvida, pude crescer em santidade. Portanto, hoje gostaria de compartilhar com vocês a lista dos principais livros que li durante o ano e que tanto me ajudaram e que creio poderão ajudar vocês também na caminhada cristã.
1 – Quando Pecadores Dizem Sim.
Dave Harvey
Livro maravilhoso. Apoiei bastante meu ministério de aconselhamento com casais neste livro. O autor tem senso de humor e objetividade ao abordar temas comuns a todos os casamentos.  O livro deixa claro que a união de duas pessoas que chegam ao altar com uma bagagem surpreendentemente grande. Em geral, ela se abre na lua de mel; às vezes, espera até a semana seguinte. A Bíblia chama isso de pecado. Compreender sua influência pode fazer toda a diferença para um homem e uma mulher que estão construindo a vida juntos.
Você encontra em: www.editorafiel.com.br a editora está disponibilizando gratuitamente o e-book.



2 – 1808.
Laurentino Gomes.
Como grande admirador de História não podia deixar de ler este best-seller, além do mais foi presente a minha amada esposa. Creio que um conselheiro bíblico precisa entender a mente do homem não só a nível individual mas também a nível social, e nesta tarefa a história nos ajuda muito. O livro conta a chegada, melhor fuga, da família real de Portugal para o Brasil ocorrida em 1808. Fato inédito pois D. João VI foi o único soberano europeu a colocar os pés em terras americanas em mais de quatro séculos, e foi quem transformou uma colónia em um país independente.



3 – História dos Estados Unidos – das origens ao século XXI.
Leandro Karnal & outros.
Para o bem ou para o mal, o destino do planeta está associado aos Estados Unidos da América. O livro percorre quatro séculos de história dos Estados Unidos, desde as tímidas tentativas de colonização da era elizabethana até a hegemonia atual. A variedade de seus personagens inclui de falcões ultraconservadores a ativistas de esquerda, de libertários a reacionários.



4 – Homens Fortes – um guia para a liderança familiar.
John Crotts
Este livreto apesar de simples é profundo. Ele instrui os homens cristãos em sua tarefa de liderança ajudando-os a se envolverem nessa tarefa, mostrando, assim, o caminho da intimidade com Cristo, na amorosa liderança servil.





5 – Cristãos em uma sociedade de consumo – para não cultuarmos o deus “escolha” da nossa época.
John Benton
Livro extremamente prático e útil para ajudar e compreender o homem contemporâneo a lidar com o grande mal que assola nossa sociedade, o consumismo.  Neste livro John Benton produziu uma crítica devastadora do modelo aceito pela igreja -  pós-modernismo, o culto do eu, auto-etima, direito de escolha – marcas da decadência que não importamos impunemente.




6 – O Deus que intervém- o abandono da verdade e as trágicas consequências para a nossa cultura – a única esperança na verdade.
Francis Schaeffer
Francis Schaeffer tem sido, através de seus livros, um companheiro de longa data, sempre fico admirado com a astúcia da sua mente e a humildade de suas palavras. Ele enxergou bem mais que a maioria de nós e agonizou sobre a sua percepção bem intensamente do que nós, como um verdadeiro grande cristão de nosso tempo.  Este livro mostra como o pensamento moderno abandonou a ideia de verdade, com trágicas consequências para todas as áreas da cultura desde a filosofia até a arte, música, teologia e na sociedade como um todo.



7 – Coletâneas de Aconselhamento Bíblico – volumes 1 a 8.
Minhas companheira em vários aconselhamentos as coletâneas trazem de forma prática e dinâmica várias situações e a estratégias de aconselhamento para cada uma delas. Elemento imprescindível na biblioteca de qualquer conselheiro bíblico.
Para adquirir você deve enviar um email para crem_recursosdidaticos@sbpv.org.br


8 –O Culto Espiritual – um estudo em 1 Coríntios sobre questões atuais e diretrizes bíblicas para o culto cristão.
Augustus Nicodemus
Um análise de 1 Coríntios 12 a 14 trazendo uma perspectiva bíblica para funcionamento do culto. O livro traz os seguintes tópicos: a ceia do Senhor; o lugar e contemporaneidade dos dons; o batismo como o Espírito Santo; a prática da profecia, espiritualidade e o uso da mente, o dom de línguas.




9 – Como Viveremos – uma análise das características principais de nossa época em busca de soluções para os problemas desta virada de milênio.
Francis Schaeffer
Mais uma vez o “profeta” Francis Shaeffer acerta em cheio. O livro traz uma análise de momentos históricos importantes que contribuíram para a formação dos dias atuais e o pensamento daqueles que os geraram. É um estudo feito com a esperança de que seja lançada luz sobre as características principais de nossa época e que soluções possam ser encontradas para a miríade de problemas que enfrentamos.



10 – Pornificados -  como a pornografia está transformando a nossa vida, os nossos relacionamentos e as nossas famílias.
Pamela Paul
Vez ou outra no aconselhamento com homens me deparo com este tema. O livro de Pamela Paul me foi muito útil para entender de forma sociológica os efeitos da pornografia na sociedade contemporânea e até mesmo a mente daqueles que fazem uso dela. A pornografia se tornou parte importante do cotidiano de muita gente. Em Pornificados, Pamela Paul mostra como a invasão da pornografia mudou a nossa vida dentro do casamento e da família, assim como mudou a compreensão do sexo e da sexualidade na mento dos nossos filhos. Ela apresenta dados surpreendentes da era da pornografia.

11 – Tulip – Os Cinco Pontos do Calvinismo à Luz das Escrituras.
Duane Edward Spencer
Esse clássico traz de forma resumida e objetiva um embasamento bíblico para os cinco pontos do calvinismo, Duane faz isso contrastando com os cinco pontos do Arminianismo, que originalmente moveram o Calvinismo a fazer sua declaração dos cinco pontos de Dort.




12 – Mulheres Fiéis e seu Deus Maravilhoso – história de cinco mulheres de fé.
Noel Piper.
Li esse junto com minha esposa, e foi extremamente edificante aprender com a biografia dessas cinco heroínas da fé, mulheres comuns de gerações passadas e do presente cujos testemunhos têm exercido influência extraordinária  e podem causar impacto duradouro na vida de mulheres de nossos dias e de muitas gerações posteriores. Qualquer pessoa se deliciará na maneira como esta consideração do passado traz inspiração e encorajamento para enfrentarmos os desafios de hoje.


13 – Abaixo a Ansiedade.
John MacArthur Jr.
O livro é um guia prático para estudo individual e em grupo sobre a Ansiedade. MacArthur não segue a moda evangélica de batizar a terminologia da psicologia popular e apresenta-la como se fossa a resposta bíblica para o problema. Melhor do que isso, ele nos conduz à verdadeira fonte de conforto, as Escrituras. Ele nos mostra pela Bíblia que Deus se preocupa com a nossa ansiedade e nos ajuda a nos apropriarmos de seus recursos  para enfrentar os problemas com calma e de modo eficaz.



14 – Purificando o Coração da Idolatria Sexual.
Dr. John D. Street
Neste livro o autor aborda a imoralidade sexual por uma perspectiva bíblica, encontrando suas causa no coração pecaminoso do homem e inclinado contra Deus. Esse coração odeia a palavra proibido e adora, literalmente, as palavras permitido e prazer. Dr. Street faz considerações pertinentes e profundas, mencionando não só os problemas e as consequências de tal envolvimento com a imoralidade, que ele corretamente chama de idolatria, mas também aponta as alternativa bíblicas para todo aquele que deseja libertar-se dos ídolos instalados em seu coração e que são regularmente alimentados.


15 – Vícios: um banquente no túmulo – encontrando esperança no poder do evangelho.
Edward T. Welch
Livro simplesmente esplendoroso! O melhor que já li na área de vícios, usei e abusei dele durante o ano. Welch consegue traze uma perspectiva bíblica sobre o vício que eu nunca tinha nem pensado antes, mostrando que as Escrituras ganham vida para o viciado. Não são apenas alguns textos argumentativos sobre embriagues. Ao contrário, uma vez que toda a Bíblia fala sobre nossa desordem básica da adoração, toda a Bíblia é rica em aplicações para o viciado. Com vivemos em uma cultura que assume posições inferiores às ensinadas pelas Escrituras precisamos perceber que isto nos afeta mais do que imaginamos.


16 – Disciplina na Igreja – um manual de disciplina para a igreja hoje.
Jim Elliff & Daryl Wingerd
Trata-se de uma declaração sobre a politica de disciplina na igreja fiel à Bíblia, extremamente útil a qualquer igreja. Livro simples de fácil entendimento e aplicação.
Ebook gratuito em: www.editorafiel.org.br